‘Saindo do inferno’, diz paciente que alega ter sido torturado em clínica

Interno diz ter sido enterrado e forçado a andar nu por unidade em Ribeirão. Local foi alvo de operação do MP e pode ser fechado, afirma promotor.

Confira reportagem publicada pela Folha de S.P sobre clínica em Ribeirão Preto / SP.

Um rapaz que prefere não ser identificado garante ter sido humilhado em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto (SP). O ex-interno, cuja denúncia motivou o Ministério Público e a Polícia Civil a cumprir mandados de busca e apreensão no local nesta terça-feira (5), diz que funcionários da unidade o enterraram até a cintura em um buraco cavado por ele mesmo e o obrigaram a andar nu diante de outros colegas como forma de disciplinar seu comportamento.

Uma funcionária da clínica, no entanto, negou ter presenciado qualquer tipo de maus-tratos no local.

O ex-paciente relata que em março, em decorrência de uma discussão com um dos monitores da clínica localizada no Recreio das Acácias, foi obrigado a cavar um buraco na terra até ficar com as mãos “em carne viva”. “Mesmo assim eu ainda era obrigado a cavar o buraco, o que caracteriza crime de tortura”, argumenta.

Durante a aplicação do que ele aponta como uma penalidade, ele conta que foi informado que a vala seria usada para depositar entulho, mas que, ao final, acabou sendo “enterrado” em seu interior até a cintura. “Essa foi a minha disciplina. Eles diziam que era para meu crescimento pessoal. Esse buraco seria utilizado para jogar entulhos, mas na verdade eles utilizaram para me enterrar. Eu permaneci enterrado até a cintura”, afirmou.

Clínica é suspeita de torturar interno em Ribeirão Preto (Foto: Sérgio Oliveira/EPTV)
Clínica é suspeita de torturar interno em Ribeirão Preto (Foto: Sérgio Oliveira/EPTV)

Além disso, o jovem garante que no mesmo dia ainda foi obrigado a andar sem roupas pela clínica. “Isso me abalou profundamente. Pretendo procurar meus direitos com uma reparação civil”, disse e acrescentou também ter sido agredido com socos e pontapés dentro da unidade em outras ocasiões.

Fora da unidade de terapia, ele afirma estar feliz por se ver livre da dependência química, mas também pelo fato de não ser mais agredido. “Graças a Deus estou saindo do inferno, vou retomar minha vida, não pretendo mais usar drogas. Eu também soube aproveitar a parte boa, que ainda existia, era que o tratamento.”

Operação do MP
O promotor de Justiça Aroldo Costa Filho alega que foi procurado na sexta-feira (1º) por dois ex-internos e por suas mães, que relataram sessões de tortura e agressões a pacientes da clínica no bairro Recreio das Acácias.

Com base na denúncia, o promotor obteve mandados de busca e apreendeu pedaços de madeira, cordas e faixas supostamente utilizadas nos maus-tratos. Durante a operação, dez pacientes foram retirados da clínica e foram encaminhados para seus responsáveis.

Se as denúncias forem comprovadas pelas investigações, a unidade de tratamento pode ser fechada, afirmou o promotor.

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Frente Nacional Drogas e Direitos Humanos pede apuração de irregularidades em comunidade terapêutica

Brasília, 20 de Julho de 2012.

À/ Ao

Ministra Chefe da Casa Civil Ministro de Estado da Saúde

Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República

Assunto: Denúncia. Notícia veiculada “Prefeitura descobre só 6 meses depois morte de viciado em clínica conveniada” no Jornal Estado de São Paulo

 


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