Internação compulsória avança pelo Brasil e Salvador será a terceira capital a realizar operações de higiene social

Na semana em que iniciou as operações de internação compulsória em São Paulo, a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Bahia afirma que “esse tipo de internação feita em São Paulo será feita aqui também no Centro Histórico.”

Leia notícia completa:

do Correio 24 Horas

Salvador terá internação compulsória de viciados em drogas

Equipe vai fazer abordagens no Centro Histórico a partir de março

Anderson Sotero
anderson.sotero@redebahia.com.br

Assim como São Paulo, que ontem passou a internar compulsoriamente os dependentes químicos, a Bahia também vai internar à força dependentes químicos. Uma equipe com profissionais de saúde será criada pela Superintendência de Prevenção e Acolhimento aos Usuários de Drogas e Apoio Familiar (Suprad), órgão vinculado à Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos. A previsão do governo do estado é que a equipe já esteja nas ruas do Centro Histórico em março.

Desde segunda (21), após parceria do poder Judiciário com o governo do estado de São Paulo, 50 agentes fazem abordagens nas ruas do Centro da capital. Se for atestado que o viciado não tem domínio da sua própria saúde e condição física e este se negar a receber tratamento, um juiz poderá determinar sua internação.

“Esse tipo de internação feita em São Paulo será feita aqui também no Centro Histórico. Aqui em Salvador, nós não temos uma cracolândia nos moldes da Estação da Luz (em São Paulo). Temos alguns pontos que têm características parecidas, como por exemplo o Centro Histórico, onde há uma grande concentração com pessoas que vêm até do interior. Não é igual, mas requer intervenções”, explica a superintendente da Suprad, Denise Tourinho, destacando que antes da internação compulsória a equipe trabalhará  tentando se aproximar do usuário de drogas, conviver e criar  confiança.

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Os casos de internação compulsória são quando o dependente está em risco e, mesmo sem autorização da família, a internação é determinada por um juiz competente, depois de pedido feito por um médico, atestando que a pessoa não tem domínio sobre suas condições psicológicas e físicas.

“Vai ser uma ação cotidiana. Vamos trabalhar com muita tranquilidade. 90% dos casos não precisam de internação. Precisam de orientação”, acrescenta Tourinho.

A Câmara Setorial de Enfrentamento ao Crack, criada pelo programa Pacto pela Vida, terá um grupo de trabalho para acompanhar quinzenalmente os casos de internação compulsória. Após o período de crise, que, segundo Tourinho, costuma demorar em média 17 dias, o dependente tem condições de decidir se quer acompanhamento voluntário.

Centro Histórico 
A criação da equipe específica para o Centro Histórico, local considerado prioridade pelo governo, faz parte do plano Viver Sem Drogas que foi implantado há um ano e um dos braços do programa estadual Pacto Pela Vida, do qual fazem parte também as Bases Comunitárias de Segurança.

“As questões relacionadas às drogas não são só de polícia. Nossa proposta é chegar nessas pessoas sem violação de direitos. O trabalho é numa perspectiva de convencimento dos usuários”, diz Tourinho. Há ainda a previsão de estender para outros locais, “onde houver necessidade”.

Problemas
Tourinho, porém, destaca problemas na internação. “Chegar até o usuário e determinar a internação compulsória é fácil. O difícil é a rede de saúde atender a todas essas pessoas”.

A saída para o Estado é internar em hospitais gerais. “Precisa de acompanhamento médico para tirar da abstinência. Estou falando de pessoas que estão nas ruas, degradadas, às vezes armadas, usando de 20 a 30 pedras de crack por dia, misturando com álcool. Estas pessoas não estão em condições de decidir. O encaminhamento destas pessoas só conta atualmente com os hospitais gerais”, destaca a superintendente da Suprad, admitindo que o Estado precisa implantar mais leitos psiquiátricos em hospitais gerais. “Nós temos 800 vagas por ano”, diz.

Ela reclama de falta de suporte do município. “Salvador não tem um Caps AD3 (Centro de Atendimento Psicossocial), que trabalha com acolhimento noturno, e o Caps Gey Espinheira (em Campinas de Pirajá) nunca funcionou como do tipo 3. Nossa expectativa é que o prefeito consiga expandir a rede de Caps”, diz.

De acordo com a diretora de Atenção à Saúde, Luciana Peixoto, da Secretaria Municipal da Saúde, a prefeitura “pretende expandir a rede de Caps”, mas ainda não há previsão para isso.

A coordenadora municipal da Área Técnica de Saúde, Célia Rocha, ressaltou que existem três consultórios de rua, formados por equipes profissionais de saúde, que realizam campanhas educativas de enfrentamento ao uso do crack. Dois são itinerantes e o terceiro fica no Centro Histórico.

psique

“Existe um decreto do prefeito exigindo que nós temos um prazo de 90 dias para implementar ações que fortaleçam a rede psicossocial com ênfase no álcool e drogas”, lembra Rocha.

A psiquiatra Rosa Garcia, integrante da Associação Brasileira de Psiquiatria, concorda com a internação compulsória quando o dependente químico estiver correndo risco, mas destaca a necessidade de centros especializados em Salvador.  “Ele corre risco de ser agredido, atropelado, entre muitos outros, mas nós não temos um centro especializado para internar usuários de drogas compulsoriamente”, afirma.

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